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Cabo Finisterra

Segunda-feira, 07.06.10

Este fim de semana estive no Cabo de Finisterra. Pelo caminho, subindo ou descendo a encosta, encontravam-se muitos peregrinos que seguindo o caminho francês de Santiago de Compostela se dirigiam ao quilómetro zero. Aqui chegados uns rezavam, outros entoavam cânticos em grupo, observavam a paisagem ou então depois de uma pequena oração deixavam ficar ou queimavam peças de roupa ou calçado numa promessa de deixarem a vida passada e tomarem novo rumo, uma nova vida.

 O mar de Finisterra

Após a ressureição de Cristo, o apóstolo Tiago, seguindo a orientação que o Senhor  transmitiu aos apóstolos, saiu da Judeia para espalhar suas palavras em terras desconhecidas. Decidiu pregar em Finisterra, um lugar muito remoto onde não haviam perseguições aos cristãos.

 

                                                                                                                O farol

Esta região, a mais a oeste da Europa, era considerada o fim do mundo. Após uma longa viagem num pequeno veleiro que fazia comércio no Mediterrâneo, chegou a Iria Flávia, cidade onde começou a  evangelização dos povos da região. Após seis anos de pregação, decidiu que era hora de voltar à Palestina a fim de contar o que tinha conseguido e trazer mais evangelizadores à Hispania. Após um curto período de pregação, Tiago foi preso e sentenciado à morte por decapitação e os seus restos mortais foram abandonados e comidos pelas feras do deserto. 

Os seus irmãos de fé conseguiram recolher o seu corpo, que foi embalsamado e transportado de volta à Hispania por Teodoro e Atanásio, dois discípulos convertidos em Iria Flavia (hoje Santiago de Compostela). Uma vez de volta a Finisterra, Tiago foi sepultado num bosque de difícil acesso que recebeu o nome de Libredunum. À partir de então várias gerações de eremitas  revezavam-se na tarefa de velar o túmulo do Apóstolo.

                                                                                                               A rezar

Passaram-se quase setecentos anos, quando em 822, dois camponeses acreditaram ter visto muitas luzes vindas de um bosque ermo. Alertado, o Bispo Teodomiro empreendeu uma viagem ao local e lá encontrou o eremita Pelayo que lhe relatou que velava o túmulo de Santiago, todo envolto por luzes. A notícia foi rapidamente levada ao rei Afonso II que mandou construir uma capela e um mosteiro, tornando-se o primeiro peregrino a visitar o local. Assim nasceu um dos mais importantes centros de peregrinação: o Caminho de Santiago de Campo Estela.

  Começar nova vida

  

À partir de 845, começaram a chegar os primeiros peregrinos e já em 862 o local não suportava mais o fluxo de fiéis, o que fez com que os restos mortais fossem transladados para Santiago de Compostela. Em 1075 deu-se o início da construção da actual catedral.


Com o fim da Idade Média, o Caminho de Santiago perdeu a sua importância e foi esquecido. No século XX, ele foi lembrado e começaram as peregrinações modernas. O Caminho de Santiago  é considerado Património Cultural Europeu.

 

 

 

 
Km 0 do Caminho Francês

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publicado por Filomena às 21:48








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