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Avelar - a sua história

Quinta-feira, 22.03.07

Hoje, lembrei-me de colocar aqui um texto sobre as origens e história da vila de Avelar. Penso que vai ser útil a estudantes, dentro da idade escolar e fora da idade escolar e também vai servir para todos os outros que o lerem fiquem a conhecer um pouco melhor a freguesia de Avelar.

A vila de Avelar é uma das oito freguesias do concelho de Ansião. pertence ao distrito de Leiria. "Avelar" é uma variante do português arcaico "avelanal", ou seja "terreno onde crescem aveleiras". O povoamento do território desta freguesia deverá acender a épocas pré-romanas: aqui passava a via romana de Conímbriga a Sellium. O seu traçado manteve-se até hoje, sendo visíveis alguns vestígios na zona entre Tojeira e Pontão: um troço de calçada.

São também muito remotas as primeiras referências a esta povoação.

D. Afonso Henriques, em 1137 cita "Avellaal" e "Almafalla" no foral concedido a Penela, pois ambas se situavam no seu termo sul.

Em Maio de 1219, D. Sancho I concede a D. Maria Paes Ribeiro a herdade de Almofala, que confinava a norte com o termo de Penela, a leste com o de Figueiró dos Vinhos e a sul com o de Arega.

Em 1221, D. Afonso II coutou a herdade de régia situada entre os termos de Penela e de Maçãs de D. Maria e doou-a ao seu alferes Martim Anes - era a Herdade de Avelar.

Em 1514, D. Manuel I concede Foral Novo a Avelar, que passou então a ter o estatuto de vila.

Depois da restauração da independência, foi extinta a Casa dos Marqueses e Duques de Vila real, a quem pertencia a Herdade de Avelar. Todos os seus bens passaram para a Casa do Infantado, na pessoa do Infante D. Pedro.

Em 1680 foi oficialmente criada a freguesia de Avelar, por petição ao Papa, pelos moradores de Avelar, alegando a distância à Igreja Matriz (Aguda), entre outros inconvenientes.

Por decreto régio de 31 de Dezembro de 1836 (ou 1834), Avelar acabaria por perder o estatuto de vila e cabeça de concelho, para ser incorporada no concelho de Chão de Couce; este veio a ser extinto em 24 de Outubro de 1855, sendo Avelar integrada no concelho de Figueiró dos Vinhos; porém viria  a ser desanexada deste em 1895, para passar a integrar o concelho de Ansião.

O orago da Paróquia de Avelar, o Divino Espírito Santo, mostra que esta é posterior à Idade Média, tendo surgido dentro da povoação de Aguda.

Do património da freguesia fazem parte a Igreja Matriz; o Pelourinho, classificado como Imóvel de Interessa Público, pelo decreto lei n.º 23122, publicado no então Diário do Governo n.º 231 de 11 de Outubro de 1933; o forno de Sr.ª Sr.ª da Guia; e as capelas de Santo Amaro, de São Roque e de Santo António.

A indústria têxtil tem sido um dos motores do desenvolvimento da vila de AvelarTeve a sua origem na povoação de Lomba da Casa, concelho de Figueiró dos Vinhos. Daqui é natural a família Moreira, cujos descendentes, ao casar, fixaram residência em Avelar. Surgiram várias casas onde se tecia em teares de madeira, manuais. Com o passar do tempo, estes teares foram sendo substituídos por teares mecânicos. Até 1920 foram fundadas as seguintes empresas: António Curado Luís, Manuel Augusto, José Saraiva, Manuel Duarte Moreira, Manuel Ferreira Jacob, Miguel Carvalho Rosinha, João Simões Fareleiro e Filho, João Simões dos Santos, António Lopes Rego Jacob, Custódio Nunes, António Lopes e José Godinho, Sebastião Brás Medeiros, João Nunes, António dos Santos Fino, Nunes e Godinho,...

Fabricavam estamenha (paninho), xailes, cobertores, mantas e meias.
A publicidade que fazem é muita, a qualidade é boa e a fama da indústria de Avelar é cada vez maior...

Na década de sessenta as empresas modernizam-se, chamam-se técnicos especializados, da Covilhã, que com a família aqui se fixam. É também aqui que as populações vizinhas encontram trabalho. Em 1974/1975, a crise que o País atravessa, obriga algumas empresas a fechar.

Actualmente estão a laborar a Fábrica Fareleiros, a Finistex e a V. Fino.

Os teares são agora os mais modernos do mercado.

A indústria diversifica-se e surgem as confecções, sendo a Pivot, a que mais se destaca.
Todavia, a tradição ainda se mantém. O senhor José Maria Freitas Alves continua a tecer bonitas mantas e tapetes nos tradicionais teares de madeira.

A indústria têxtil e o comércio foram as actividades que permitiram o desenvolvimento verificado levaram a que a freguesia voltasse a ser elevada à categoria de vila. Em Maio de 1994, é apresentado na Assembleia da República um projecto-lei que prevê a elevação de Avelar à categoria de vila. Em 21 de Junho de 1995 a lei é aprovada e publicada no Diário da República  de 30 de Agosto - Lei n.º 47/95.
Nos aspectos culturais e recreativos temos de referir o importante trabalho levado a cabo pela Sociedade Filarmónica Avelarense no campo musical e vocal e o Atlético Clube Avelarense na formação de jovens em actividades desportivas.

Também na área da saúde há a destacar a Fundação Nossa Senhora da Guia com as valências de hospital, lar de 3.ª idade, infantário e ocupação de tempos livres de crianças em idade escolar.

Todos os anos se realiza a Festa e Romaria de Nossa Senhora da Guia, no primeiro fim de semana de Setembro. Estas festividades trazem milhares de pessoas à freguesia. São festejos de grande tradição e com uma já longa história que vem do século XVIII, aquando da construção da Capela de Nossa Senhora da Guia. Esta foi construída com o produto das esmolas que os devotos ofereciam a N.ª Sr.ª da Guia. Esta devoção teve a sua origem na lenda das aparições de uma formosa menina no lugar do Fetal e onde foi edificada uma pequena capela.

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publicado por Filomena às 12:23