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Já não há amores assim...

Sexta-feira, 18.04.08

Começo hoje a contar uma história de amor, de Florbela Espanca, e que acabei de ler num dos livros oferecidos pelo Jornal de Notícias. É uma linda e enternecedora história de amor. Vai ser reproduzida em capítulos e ilustrada com imagens tiradas da Web. Espero que gostem.

 

As orações de Soror Maria da Pureza (I)
“No mundo, era branca e loira; tinha quinze anos e chamava-se Maria. Morava numa grande casa cor-de-rosa que dia e noite espreitava para a estrada, através da espessa folhagem das frondosas tílias dum jardim.
                                                
 Mariazinha, branca e loira, tinha um namorado, e já havia um ano que lhe tinham dado licença para falar com ele às grades do jardim da sua casa cor-de-rosa.
Já havia um ano. E Mariazinha pouco mais era ainda que um bebé! Como o ano tinha passado depressa! E que estranho ano aquele, sem Inverno! Mariazinha nunca tinha visto um ano assim, um ano que só tivera noites, trezentas e sessenta e cinco noites de Setembro, tépidas, cariciosas, luarentas. Dos dias não se lembrava, e Inverno não teve com certeza. Floriram as azáleas por acaso?...

                                              

As magnólias da grande avenida cobriram o chão de neve, porventura? O velho jardineiro diz que sim. Mas que sabem os velhos jardineiros de estes anos estranhos, só com noites de Setembro?!”...                 (continua)
in “As máscaras do destino” de Florbela Espanca

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publicado por Filomena às 11:33