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Já não há amores assim...

Domingo, 27.04.08
As orações de Soror Maria da Pureza (IX)
... “Mariazinha não percebeu nem tão pouco disse nada. Encerrada em si mesmo como um cofre selado, foi um túmulo fechado e mudo, onde as revoltas e os gritos, as censuras e as carícias iam despedaçar-se em vão.
http://www.youtube.com/v/kLaEC2jygRU&hl=en"></param

À noite viam-na vaguear, horas e horas, sozinha, pelas ruas do jardim, sem se voltar, sem um gesto, sem um olhar de interesse pelas coisas, que não via. Aproximava-se depois da grade onde a vinha virgem com os seus braços teimosos continuava a enlaçar os duros varões de ferro, e ali ficava horas esquecidas, pequenina estátua de mármore sobre um mausoléu, perdida num sonho que não era da Terra. Viam-na voltar mais frágil, mais embaciada, duma palidez quase etérea. Instintivamente, procuravam-se-lhe as asas no seu corpo de ave que parecia ensaiar um voo. Os seus olhos tinham um olhar tão doce, tão desprendido das coisas deste mundo que, sem querer, a gente procurava o sítio onde ela ia poisar.”... continua
in “As máscaras do destino” de Florbela Espanca

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publicado por Filomena às 11:12


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