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Já não há amores assim...

Segunda-feira, 28.04.08
As orações de Soror Maria da Pureza (X)
 
...”O pai e a mãe inquietaram-se por fim.Interrogaram-na, e com lágrimas e súplicas pediram-lhe que falasse, que dissesse o que tinha, o que queria, o que queria que eles lhe dessem, que eles lhe fizessem para a prender na Terra. Tudo lhe fariam, tudo lhe dariam. Que ela pedisse tudo. Estavam prontos a fazer por ela todos os sacrifícios.
Foi então que Mariazinha, noiva-menina dum noivo-morto, disse, pediu o que queria: queria ir para um convento. «Isso não! Nunca!», clamaram os pais, numa revolta de toda a sua alma. Fora então para isso que a mãe a trouxera nas suas entranhas, que a alimentara aos seus peitos, que a embalara nos braços tantos anos! Fora então para isso que o pai lhe amparara os primeiros passos, que lhe arrancara do caminho todos os espinhos para ela passar! «– Isso não! Isso nunca!».
 Passaram dias, meses, passaram dois anos. O rosto miudinho era uma pétala de camélia, todo o corpito de ave um flocozinho de neve. Continuava a ir à grade onde ficava horas e horas a sorrir, de olhos baixos, com as mãos a tremer, num enleio de amor que não era deste mundo..”          continua
in “As máscaras do destino” de Florbela Espanca

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publicado por Filomena às 11:29