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Populares em luta

Quarta-feira, 10.06.09

A Guarda Nacional Republicana (GNR) foi obrigada a intervir, ao final da tarde de ontem, à porta das instalações da Cooperativa dos Avicultores do Concelho de Ansião (CAVICAN), face à fúria dos cerca de centena e meia de populares que ali se concentrou para contestar a eventual instalação de uma incineradora de resíduos tóxicos. 

Só cerca de quatro horas depois é que o presidente da Direcção da CAVICAN abandonou as instalações numa viatura da Unidade de Intervenção da GNR, por questões de segurança.

Em causa está aquilo que os populares, oriundos dos lugares limítrofes às instalações da CAVICAN, nomeadamente, Mogadouro, Vale de Avessada e Louriceiras, dizem ser a alienação da cooperativa a uma empresa privada, com o objectivo de ali incinerar resíduos tóxicos. Com aquela alienação a CAVICAN resolve o seu problema financeiro que apresenta um passivo a rondar os 500 mil euros.

Aproveitando a realização de uma assembleia geral, onde seria votado o futuro da cooperativa, os populares concentraram-se em massa, tendo sido impedidos de entrar nas instalações por militares da GNR.

Os populares consideram que “foi aprovada pela nossa câmara municipal um projecto escandaloso que autoriza triplicar as instalações para que essas sejam utilizadas para tratamento, ou melhor, queima de qualquer tipo de resíduos, desde animais, até químicos passando por resíduos vindos da central eléctrica de Sines”. E não poupam críticas à autarquia, referindo que “chegou ao ponto de aprovar um projecto que nem sequer contém o nome do engenheiro que assinou, sabendo que este irá prejudicar a saúde de aqueles que os elegeram”.

Defendendo que a CAVICAN deverá continuar a sua função de tratar os efluentes dos aviários localizados na região, os populares consideram que “a hora é grave” porque “o efeitos de uma tal infra-estrutura são cancros e outras doenças degenerativas”. 

Os ânimos exaltaram-se quando terminou a assembleia geral que decorria nas instalações da cooperativa, e a qual foi inconclusiva. Quando a porta do escritório se abriu, os populares gritaram e apuparam os dirigentes da CAVICAN, tentando forçar a entrada, obrigando os militares da GNR a usarem a força. 

Pouco tempo depois chegaram mais reforços militares, incluindo um grupo da Unidade de Intervenção, que tentaram garantir a saída em segurança de alguns cooperantes. 

Só por cerca das 21:45 horas é que o presidente da Direcção, Manuel Neves, acompanhado pelo funcionário Luís Soares, abandonaram as instalações tendo sido retirados pela viatura da UI da GNR. Mesmo assim, não deixaram de ouvir fortes apupos por parte dos populares presentes que também não pouparam os militares da GNR, face à sua intervenção.

No final da assembleia geral nenhum dos cooperantes, incluindo o presidente da Direcção, quiseram falar aos jornalistas. 

Entretanto, contactado pelo Notícias do Centro, o presidente da Câmara Municipal de Ansião considera ser “completamente falso” que tenha licenciado “qualquer utilização para além do tratamento dos efluentes” dos aviários. “Não deu entrada na Câmara Municipal qualquer tipo de pedido de licenciamento nesse sentido”, refere Fernando Marques.

Aliás, o autarca social-democrata afirma que “é mesmo um absurdo que se tente incutir na população a ideia de que esta central de compostagem possa ser transformada numa incineradora de resíduos tóxicos”. “Só por má fé se pode afirmar tal coisa”, acrescenta.

Fernando Marques recorda que a autarquia “empenhou-se desde o início na construção” da unidade de tratamento de efluentes dos aviários e “congratula-se por estes avicultores terem conseguido pôr de pé este projecto que é uma mais valia ambiental para o concelho”. “Pena é que todos os avicultores do concelho não tenha aderido desde o início a este projecto”, refere.

Já quanto à eventual venda da unidade a privados, ou transformação da cooperativa em sociedade com entrada de novos sócios, Fernando Marques considera que “é um assunto que só aos cooperantes diz respeito”, acrescentando que “só os cooperantes podem decidir sobre o futuro desta unidade e o modelo de gestão da mesma”.

Em jeito de conclusão, Fernando Marques afirma que a Câmara Municipal “continuará naturalmente atenta à situação da CAVICAN, não permitindo que o objectivo com que esta central de tratamento foi construída seja desvirtuado”.  (in Notícias do Centro)

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publicado por Filomena às 10:53


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